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Dispensava-se o estilo António Ferro

"Quinhentos anos depois de ter dado a conhecer ao mundo ocidental os efeitos medicinais da canábis, e noventa anos depois de ter pela primeira vez regulamentado o seu uso médico, Portugal pode estar prestes a voltar a fazer história".
Por acaso já Rabelais tinha dedicado o capitulo XLIX do Gargantua & Pantagruel  à cannabis antes da primeira edição dos Colóquios de Orta, chamando-lhe Pantagruleon.  No Oxfordhire, as sementes do canhamo eram usadas em rituais  divinatórios ligados ao casamento das moçoilas. Um bocadito antes, Galeno e Plínio o  Velho recomendaram-na para regular o trânsito intestinal. Etc.
Por mim, já há muitos anos que escrevi e publiquei sobre o assunto : todas as drogas deviam poder ser adquiridas  mediante  receita médica  ( como os americanos fizeram com  Harrison Narcotic's Act de 1914 que esbarrou  depois nos dementes  da Lei Seca). Aqui  um pequeno resumo e aqui uma entrevista  que dei ao Observador. O que não é necessário é o tom gongórico .


José Gomes Ferreira

Mais um poeta  comunista, mais  uma voz tonitruante como eram todas as dos militantes. Gosto neste grupo do compromisso entre  a tarefa política e a expressão  poética. Sendo a poesia, a verdadeira, o anti-destino - não serve para nada, não serve nada -,  como toda  a arte,  o trabalho de reconciliação  devia ser doloroso e merece respeito. Uns versos que julgo serem exemplo do que digo. Belíssimos, crus em qualquer tempo de servos:
Todos os velhos a pedirem esmola para entrarem humilhados na morte Todos os filhos a implorarem de joelhos: não me batas paizinho! Todas as traições, todas as ânsias, todos os soluços, todas as mãos de cardos hirtos.

Imaginem

Que isto era entre um  velho político machista  e uma jovem jornalista de causas. Imaginem ter sido dado como provado o remexer na pita por diversas vezes. Imaginem a pena suspensa e o viver comum.
Pois, mas como foi com mais uma miúda, nada a fazer. A pedofilia é muito bem compreendida em muito  activismo feminista: como dizia um imbecil no twitter, esses miúdos andam a pedi-las.

PSD ( 13)

Estas eleições no partido são a réplica fiel de quaisquer outras de alto coturno : concelhias, distritais, Andorinha FC ( por acaso tem um campo catita, joguei lá muitas vezes). Quem insinuou o quê, quem gosta menos do Costa ,  quem responde ao ataque torpe. Rio e Santana, quais celebridades de hospital, passeiam pelos corredores, muito compostos e atentos.
O partido, sem tasgalhos de festim para roer, optou por esta via.  Será uma questão de tempo até se perceber que o tempo tem pouco tempo. Até aceitarmos que o aparelho ( o da carne assada e o ludita dos comentadores) ensebado é irreformável. Nenhum drama: a mitose política não é proibida.

Weinstein à Bulhão Pato

Estranho muito que  não tenha havido denúncias  no nosso meio do teatro, da música,  do cinema e dos media.  Nenhuma actriz, jornalista ou  cantora  denunciou apalpões, sexo  forçado e outras calhandrices. É notável. Num país em que trata  desta forma as mulheres, ficamos  a saber que  os actores, realizadores, cantores, e jornalistas são zelosos respeitadores da integridade  moral e física da senhoras.
Talvez a explicação resida no facto de a esmagadora maioria dos músicos, jornalistas, realizadores  e actores ser humanista e  solidária, enfim, estar nos antípodas dos Trumps desta vida. Um exemplo para o mundo.

Terapia (11)

A lalangue  diz que a má consciência  é uma autopunição , uma interiorização do impulso agressivo dirigido ao self. Fez tanto caminho que já gastou as rodas. Funda-se, de Nitezsche ao Freud inicial ( o tardio é outra conversa) , na ideia do homem maravilhoso se livre  da repressão social, ou seja, do cristianismo. Os budistas falavam de dez males terríveis a evitar , entre eles, o matar, o roubar e o sexo  impróprio; tudo  muito antes de Cristo se ter empinado na cruz. Deixemos essa lalangue de  descerebrados.
A má consciência  tem um aspecto  terapêutico axial. Notei, ao longo dos anos, que faz as pessoas melhores. Gente que placidamente ignorava  os efeitos das suas acções nos outros, torna-se capaz de os sentir como se os tivesse sofrido. Isto  transforma-os, finalmente, em humanos: animais sem sossego.