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Natalie, a Grande

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L' impératrice des lesbiennes era a sua  alcunha: a senhora Natalie Clifford. A milhas de muitas das  lésbicas de hoje.
Escritora  prolífica, odiava   a monogamia, mas manteve uma relação de 50 anos ( com mais intervalos do que buracos no queijo)  com a pintora Romaine Brooks.Tinha um salão em Paris e papou muitas mulheres. Tudo às claras. Recebia no número 20 da Rue de Jacob, uma casa descrita por Radcliff Hall em The Well of Loneliness. Uma  outra lésbica famosa, e activista, Mercedes Acosta, levou-lhe ao salão Greta Garbo*. Cocteau ia lá comer  sanduíches de pepino.
Nunca quis saber de casalinhos LGBT com filhos e passeios aos domingos, tatuagens e histerias. Gostava de Paris  e dizia que em Inglaterra nada há destinado às mulheres, nem sequer os homens.
O cão é um bulldog francês, um Pug.





*cortesia Artemis  Cooper

Sexo, poder e gatafunhos ( 2)

Uma caçadeira na  fanesga. Parece uma caricatura da máxima de Wilde ( tudo na vida é sobre sexo excepto  o sexo; sexo é sobre poder), mas há lá mais qualquer coisa.
Começa pela ignorância  geral sobre armas. Quem fez a tropa e tem uma cabeça normal aprende que elas não são assim tão engraçadas ( a G3 pesa como chumbo  no final do dia de instrução), mas também que são muito perigosas. Uma vez, na instrução de tiro com pistola, um idiota virou-se para nós brandindo a coisa barafustando que estava encravada. Isto  enquanto tentava dispará-la, ou desencravá-la no seu cérebro de toupeira. O instrutor quase se urinou e nós também.
O fetiche ( feitiço) da mulher  exigia uma arma carregada. Esta é a parte  sumarenta.  Uma mistura  de loucura  com ordalismo de base.  Infelizmente, a verdade deve ter sido  menos entusiasmante. O álcool e  as drogas toldaram  o  tino. Pouca coisa rija fazemos sem as drogas ( tenho depressivos que só conseguem levar os filhos à escola com sertralina).


Sexo, poder e gatafunhos ( 1)

Psicanálise de um pedófilo:
Gilles était animé par un désir terrifiant d’avoir sa mère en lui, de la porter dans son ventre, d’être enceinte d’elle – en bref, d’être pénétré par elle.
Não sei se sabem, mas os Gilles  nunca dizem estas coisas: os psicanalistas é que falam  por eles. E a fala é sempre com os mesmos  malhos:  continente-conteúdo, depressão latente, galáxia narcísica etc.

Cayo Lara, o comunista fascista segundo António Guerreiro

De mal  a pior, António Guerreiro. Desta vez não mete Agamben na sopa, mas dedica uma coluna inteira a Henrique Raposo. Devia estar  sem assunto. O pior é a bambochata : a caça é fascista. A caça  glorifica a morte, Deleuze, blá blá, fascismo. Depois os colhões  e a masculinidade ( Guerreiro desconhece  as histórias de mulheres caçadoras) blá blá. Termina com o paralelismo do dispositivo  zoo-antroplógico : o mesmo que serviu para o extermínio dos judeus. O comunista espanhol Cayo Lara e Manuel Alegre, por exemplo,   passam assim à condição de cripto-fascistas enfeitiçados  pela  trajectória  do tiro e  morte do animal
Nada de estranho se a crónica tivesse sido escrita por um tolinho. AG não é tolinho, por isso a conclusão é sombria: chamar fascista  ( o alvo de AG até pode ser, isso  não está em causa e pouco  me importa) é o labéu herdeiro da psiquiatrização  dos opositores.

O Abelha

Estudava pouco, mas, ao contrário de outros, não se interessava por futebol nem por miúdas. O que lhe arrebitava as orelhas era ser  delegado de turma. A responsabilidade, o ganho de confiança dos colegas,  o acesso à sala de professores e, de vez em quando, ao gabinete do director da escola. Aos quinze  organizou  as primeiras escolíadas, um ano depois chefiava uma lista à associação de estudantes. O pai fazia-lhe resumos de princípios políticos que ele decorava. Entestou uma colecção inteira de histórias de grandes políticos europeus de um conhecido semanário.
Caiu nas graças da  organização de juventude do partido ( todos lá em casa eram do partido) e passou três  anos agarrado ao telemóvel e a fazer recados ao seniores. Aos vinte foi eleito  primeiro-vogal da comissão política nacional. Entrou na faculdade mas não tinha tempo para copiar, por isso dedicou-se ao partido. Teve algumas namoradas que o acahavam um xuxu ainda que um bocadito enfadonho.
Aos vinte e cinco anos,o sol rai…

Uma fórmula

Uma convidada habitual,  Christina Rossetti. Filha de poeta ( um maná para os psicanalistas), escreveu toneladas e recusou pelos menos três propostas de casamento.   Namorou a feminista Portfolio Society, organizada por Barbara Bodichon, tanto quanto foi descrita  como uma quase  fanática religiosa. Não é rigoroso dizer-se que pertenceu ao movimento pré-rafaelita, mas andou lá perto.  O que importa é que era boa como o  milho:
Still I find  confort in the Book, who saith, Tho, jealousy be cruel as the grave, And death be strong, yet love strong as death. ( 1881)